Os sete tratados cartusianosedição e glossário: contributos para o estudo linguístico

  1. Aida Sampaio Lemos
Dirixida por:
  1. José Antonio Souto Cabo Director

Universidade de defensa: Universidade de Santiago de Compostela

Ano de defensa: 2010

Tribunal:
  1. José Luis Rodríguez Fernández Presidente
  2. Maria Aldina Marques Secretario/a
  3. Carlos Paulo Martínez Pereiro Vogal
  4. Maria Teresa Brocardo Vogal
  5. Jorge Morais Barbosa Vogal
Departamento:
  1. Departamento de Filoloxía Galega

Tipo: Tese

Resumo

Os Sete Tratados Cartusianos configuram-se, pela temática e pela estrutura, pela língua em que estão escritos e pela imagem do mundo medieval que veiculam, como documentos de especial importância para a história da língua portuguesa, em particular, e para a história literária e cultural, em geral. O trabalho que ora se apresenta perseguiu como objectivo realizar a edição do conjunto dos textos que compõem os Tratados, dado que, aquando da decisão de realizar este estudo, existiam apenas edições parcelares da obra, o que obstava a uma perspectiva de conjunto que permitisse uma adequada leitura da obra. Decidimo-nos por duas edições com objectivos dissemelhantes, embora convergentes no objectivo de oferecer o acesso à obra, realizando duas edições do documento, uma lição ¿conservadora¿ e outra ¿modernizadora¿. Um outro objectivo foi o de elaborar um Glossário exaustivo do texto cuja edição seguiu uma lição conservadora, por acharmos que os glossários se instituem como ferramentas privilegiadas na exploração e análise da língua usada nos documentos de épocas recuadas, complementando os textos editados, clarificando o seu vocabulário, classificando-o e explorando os seus usos no cotexto. Para além disso, e com o objectivo de contribuir para um estudo da língua em que estes textos se encontram escritos, seleccionámos para análise, por um lado, alguns aspectos linguísticos que achámos mais pertinentes no documento, por considerarmos relevante abordar, embora sumariamente, aspectos da língua do documento que remetem para características da língua do século XV, época arcaica média; e, por outro, por se afigurar relevante e profícuo complementar e enquadrar as dimensões de estudo referidas numa dimensão relativa à análise discursiva, seguindo uma perspectiva recente oferecida por uma visão pragmática do estudo da linguagem e em particular do texto/ discurso como uma unidade de comunicação e, portanto, unidade de análise, estudámos como se revela nos Tratados a organização enunciativa, analisando a construção da imagem que o Locutor faz de si, a sua relação com o Alocutário e as vozes que ele convoca na interacção com este e na construção do discurso. Tendo em conta a importância do contexto de produção no estudo de documentos antigos, debruçámo-nos igualmente sobre o contexto histórico-religioso, cultural e literário do qual emergem os textos, fazendo breves incursões às Ordens que se relacionam com o texto em estudo, à concepção do mundo do homem medieval, ao nascimento do monaquismo ocidental e ao poder e influência deste na Europa ocidental, bem assim como ao livro medievo e à sua importância na construção do pensamento medieval, e ainda, tendo em conta o facto de estes Tratados terem sido putativamente traduzidos e copiados no scriptorium do Mosteiro de Alcobaça, a este Mosteiro como centro difusor da cultura medieval em Portugal e à tradução como forma de propagação de ideais e modelos do mundo, bem como do seu papel na consolidação do vernáculo.